“Vejo o Uruguai como um dos polos do cinema na América Latina”: agentes internacionais destacam o cinema uruguaio no DETOUR

Convidadas pela Uruguay XXI, Yeniffer Fasciani (FEELSALES) e Lidia Damatto (MoreThan Films) se reuniram com cineastas e produtores locais
Data de publicação: 22/10/2026
Partilhar:

A diversidade de histórias, a qualidade das produções e o talento de uma nova geração de cineastas despertaram o interesse das duas agentes de vendas e distribuição internacional convidadas pela Uruguay XXI para a 14ª edição do Festival de Cinema Novo DETOUR.

Yeniffer Fasciani, responsável por vendas e aquisições da agência espanhola FEELSALES, e a brasileira Lidia Damatto, cofundadora da MoreThan Films, atuaram como juradas do festival e se reuniram com profissionais do setor audiovisual uruguaio.

Os encontros individuais, organizados pela Uruguay XXI em 14 de outubro, no Hotel Esplendor, permitiram que produtores e cineastas com projetos no catálogo Uruguay Films apresentassem seus trabalhos a especialistas em vendas e distribuição internacional. A iniciativa abriu espaço para contatos que podem ampliar a circulação dessas obras no exterior.

Histórias locais que falam com o mundo

Para Fasciani, o DETOUR foi uma oportunidade de conhecer projetos que poderiam integrar o catálogo da FEELSALES, que reúne longas e curtas-metragens. A agente pretende ampliar a presença dos curtas no catálogo até 2027.

Durante os encontros, ela destacou a variedade dos projetos apresentados, entre documentários, filmes de ficção, comédias e dramas. “Todos os projetos eram muito diferentes, nenhum se parecia com o anterior”, afirmou.

Fasciani encontrou a mesma diversidade em sua atuação como jurada do concurso de roteiros e da competição Mirada Internacional. “Há uma diversidade temática muito grande”, observou. “Há temas que, embora sejam locais, falam com o mundo inteiro”, acrescentou.

Profissionalismo e visão internacional

Com experiência em vendas, distribuição e programação de festivais na América Latina, nos Estados Unidos e na Europa, Damatto valorizou especialmente a oportunidade de conhecer uma nova geração de cineastas em um país que já conta com produtores e empresas reconhecidos internacionalmente.

“Os curtas têm qualidade profissional, são muito bem feitos e têm roteiros bem escritos. Aqui no Uruguai se produz audiovisual de qualidade”, afirmou.

Ela também destacou o preparo dos profissionais com quem se reuniu. Vários produtores que trabalham em seus primeiros filmes demonstraram conhecer a dinâmica dos festivais e dos mercados internacionais, algo que nem sempre encontra em indústrias cinematográficas de maior porte.

“Vejo o Uruguai como um dos polos do cinema na América Latina”, afirmou Damatto. Para ela, a capacidade de produção e pós-produção do país faz do Uruguai um parceiro estratégico para coproduções na região.

Novas oportunidades internacionais

Os encontros abriram conversas sobre projetos em diferentes estágios de desenvolvimento e finalização. Damatto identificou trabalhos que espera conhecer melhor quando tiver acesso a novos materiais e versões preliminares dos filmes. Fasciani, por sua vez, apontou a possibilidade de alguns projetos integrarem o catálogo da FEELSALES, embora tenha ressaltado que as conversas ainda estão em fase inicial.

Em sua primeira participação no festival, Fasciani elogiou o espaço que o DETOUR oferece a cineastas emergentes e deixou uma mensagem para o setor: “É preciso começar a olhar mais para o Uruguai”.

Desde sua criação, em 2013, o DETOUR atua como uma plataforma de incentivo e exibição do audiovisual emergente uruguaio e já apoiou a produção de mais de 60 obras.

Ao convidar profissionais de vendas e distribuição internacional para atuar como juradas e se reunir com o setor local, a Uruguay XXI alia a promoção cultural ao apoio concreto à exportação, contribuindo para que as histórias uruguaias cheguem a novas telas.

Saiba mais sobre o setor audiovisual uruguaio


Top