Equidade e liderança: a diversidade como motor da competitividade e da atração de investimentos

A diretora executiva da Uruguay XXI, Mariana Ferreira, participou do encontro organizado pela CUTI e pela LATU, onde destacou o papel da diversidade e dos critérios ESG como fatores-chave para o posicionamento internacional e a atração de investimentos
Data de publicação: 25/03/2026
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A relação entre diversidade, liderança e competitividade foi o tema central do encontro “Equidade e liderança como vantagem competitiva”, organizado pela Câmara Uruguaia de Tecnologias da Informação (CUTI) com o apoio do Laboratório Tecnológico do Uruguai (LATU).

O evento reuniu representantes dos setores público e privado, além de organismos internacionais. Um dos painéis centrais, “Liderança feminina, desempenho sustentável e competitividade empresarial”, foi moderado pela CEO da Willin e membro do Conselho da CUTI, Inés Jakubovski, e contou com a participação de Lucía Monteiro, da ANII, Sylvia Chebi, presidente da URUCAP, e da diretora executiva da Uruguay XXI, Mariana Ferreira.

Já o painel “Mulheres em TI: evidências, lacunas e oportunidades” contou com Elizabeth Velázquez (LATU), Carina Di Candia Bocage (LATU), Teresa Pérez (ONU Mulheres América Latina e Caribe), Fiorella Haim (Ceibal) e Florencia Iglesias Gallo (CUTI). O evento também incluiu a apresentação do relatório “Mulheres na Indústria de TI. Liderança Feminina 2026”, a cargo de Victoria Cancela.

Diversidade, ESG e atração de investimentos

Durante sua intervenção, a diretora executiva da Uruguay XXI, Mariana Ferreira, destacou que a diversidade, incluindo a de gênero, tornou-se um componente-chave para a competitividade e a atração de investimentos.

“Os investidores internacionais valorizam cada vez mais os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG), e a equidade de gênero faz parte desses padrões”, observou.

Nesse sentido, ela explicou que as empresas que integram a diversidade em suas estruturas de decisão não apenas melhoram seu desempenho, mas também fortalecem seu posicionamento perante investidores e mercados globais. “Contar com organizações alinhadas a esses critérios fortalece a reputação do país e melhora seu posicionamento internacional”, afirmou.

Ferreira também destacou a participação feminina no comércio exterior, onde persistem desafios estruturais.

“Apenas 6,4% das empresas exportadoras uruguaias são de propriedade majoritariamente feminina e apenas 13% dos cargos de gerência geral são ocupados por mulheres”, indicou, referindo-se a um estudo realizado pela Uruguay XXI em conjunto com a CINVE e a ONU Mulheres.

Esses dados corroboram os resultados do relatório apresentado pela CUTI, que mostra que, embora exista uma percepção majoritária de oportunidades para a liderança feminina, persistem lacunas nos níveis mais altos de decisão e na implementação de políticas de equidade.

De acordo com a pesquisa com mulheres líderes do setor, cerca de 79% percebem que existem oportunidades equitativas para acessar cargos de liderança, embora mais da metade sinta que em suas empresas não existem políticas formais de equidade de gênero.

Da mesma forma, as mulheres representam 33% do emprego na área de tecnologia e sua participação diminui nos níveis mais altos de decisão, atingindo 22% em cargos de direção.

Entre os principais desafios identificados, destacam-se a conciliação entre trabalho e vida pessoal, a falta de referências femininas e a persistência de preconceitos de gênero, o que evidencia que as disparidades não se devem apenas a fatores individuais, mas também a condições estruturais do setor


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