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Empresários e autoridades espanholas destacaram a estabilidade, o talento e a projeção regional do Uruguai
A ministra Fernanda Cardona e a Uruguay XXI lideraram em Madri um encontro para promover investimentos e negócios com a Espanha
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Madri foi palco, nesta terça-feira, do Encontro Empresarial Espanha–Uruguai: um centro para o Mercosul, um evento que reuniu autoridades, empresários e investidores de ambos os países para analisar oportunidades de comércio, investimento e inovação, num contexto marcado pela entrada em vigor do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. O evento, que contou com a presença da ministra da Indústria, Fernanda Cardona, foi organizado pela Uruguay XXI, pela Câmara de Comércio da Espanha e pela Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Uruguai, com o apoio do ICEX, da CEOE e da Embaixada do Uruguai na Espanha.
Durante a abertura, Cardona destacou que o Uruguai oferece “certezas” para quem busca investir e desenvolver negócios na região. A ministra destacou a estabilidade institucional, a segurança jurídica, a disciplina macroeconômica, a matriz energética renovável e a infraestrutura digital do país como pilares de sua proposta de valor. Além disso, ressaltou que o Uruguai constitui uma plataforma estratégica para acessar um mercado ampliado de mais de 500 milhões de pessoas e conta com ferramentas como zonas francas, parques industriais e incentivos ao investimento.
O presidente da Câmara de Comércio da Espanha, José Luis Bonet, afirmou que o Uruguai se consolidou como “um parceiro econômico confiável” para a Espanha e destacou que a estabilidade institucional e as reformas impulsionadas nos últimos anos fortalecem sua atratividade para o investimento. Ele lembrou ainda que a Espanha é o principal investidor estrangeiro no Uruguai e destacou que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul abrirá novas oportunidades para o comércio e a chegada de empresas, especialmente PMEs.
A Espanha acumula investimentos superiores a 7,3 bilhões de euros no Uruguai e mais de uma centena de empresas espanholas operam atualmente em setores estratégicos do país, explicou durante o evento a subdiretora-geral de Política Comercial da Secretaria de Estado do Comércio da Espanha, Isabel Rata.


O vice-diretor executivo da Uruguay XXI, Martín Mercado, que agradeceu o trabalho conjunto das instituições organizadoras e a participação das empresas espanholas e uruguaias presentes no evento, afirmou que o encontro ocorreu em “um momento propício” para aprofundar as relações econômicas bilaterais e destacou que os acordos comerciais costumam impulsionar a expansão internacional das empresas. “Dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) demonstram que, quando a União Europeia assina acordos comerciais, suas empresas se expandem nesses destinos e aceleram o investimento estrangeiro direto europeu”, precisou.
Empresas espanholas destacam confiança e previsibilidade
Um dos momentos centrais do evento foi o painel formado por representantes de empresas espanholas com operações no Uruguai, que compartilharam suas experiências de investimento e expansão regional a partir do país.
Javier Argumosa, diretor de Desenvolvimento Internacional do Grupo DISA, relatou que a empresa decidiu investir no Uruguai após identificar um ambiente favorável para seu processo de internacionalização. “Quando você chega, sente-se em casa. Adoramos o país, a segurança e a acessibilidade das instituições”, destacou. Ele acrescentou que a estabilidade econômica e institucional foi determinante para concretizar o investimento, mesmo em plena pandemia.
O diretor de Defesa para a América da INDRA, Domingo Castro, explicou que a empresa evoluiu de uma estratégia voltada exclusivamente para o mercado uruguaio para uma visão regional. “Já começamos a considerar o Uruguai não como um mercado doméstico, mas como um hub regional”, afirmou. O executivo destacou especialmente a regulamentação das zonas francas, a previsibilidade regulatória e a qualidade dos recursos humanos como fatores-chave para instalar no país um centro estratégico de manutenção e suporte para sistemas críticos que prestará serviços a toda a América do Sul.
Castro também destacou o nível do talento local. “É a primeira vez que a Indra desenvolve uma implantação industrial desse tipo sem expatriar executivos espanhóis. São os executivos uruguaios que estão liderando o projeto”, garantiu.
“Cometemos o erro no passado de pensar que qualquer investimento no Uruguai exigia a transferência de um grande capital humano para lá, talvez por falta de formação. (...) O capital humano uruguaio e o meio acadêmico uruguaio estão em níveis de homologação europeus”, acrescentou.
Por sua vez, Tomás Blasco, responsável por projetos internacionais da Vall Companys, lembrou que o Uruguai inicialmente não figurava entre os destinos prioritários de expansão do grupo. No entanto, a combinação de estabilidade, vocação exportadora e condições favoráveis para o desenvolvimento de negócios acabou por inclinar a balança. O executivo destacou ainda a qualidade da contraparte empresarial uruguaia como um dos atributos mais valorizados pela empresa no momento de concretizar sua chegada ao país.

O Uruguai como porta de entrada para a região
Ao longo do evento, empresários e autoridades coincidiram em uma mesma mensagem: o Uruguai se posiciona cada vez mais como uma plataforma estratégica para acessar o Mercosul e a América Latina.
“O Uruguai não é apenas o Uruguai, é a região”, resumiu Castro ao se referir às vantagens que o país oferece para exportar serviços e desenvolver operações regionais.
Da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, seu vice-presidente Miguel Garrido de la Cierva reforçou essa visão ao destacar que o Uruguai se consolidou como um dos países “mais confiáveis, atraentes e previsíveis” da América Latina e que o acordo União Europeia-Mercosul representa uma oportunidade estratégica para fortalecer os laços econômicos entre ambas as regiões.
A relação entre a Espanha e o Uruguai atravessa um momento de forte dinamismo e encontra na estabilidade, na confiança e na complementaridade econômica as bases para uma nova etapa de crescimento conjunto.