Florencia Núñez deu início à sua turnê em São Paulo: “Foi uma excelente oportunidade para vir ao Brasil pela primeira vez”

A artista uruguaia fez sua primeira apresentação em São Paulo com o apoio da Uruguay XXI e planeja expandir sua música para novos mercados
Data de publicação: 10/08/2026
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Brasil era um mercado que a cantora e compositora uruguaia Florencia Núñez desejava conquistar. No dia 18 de junho, esse objetivo começou a se concretizar com sua primeira apresentação em B São PauloB , um show realizado no centro cultural Sesc Bom Retiro que, além de marcar sua estreia naquela cidade, deu início à turnê com a qual ela comemora 15 anos de carreira artística.

A apresentação foi promovida pela Uruguay XXI em parceria com o Sesc São Paulo e foi resultado do reconhecimento que a cantora e compositora recebeu como Artista Solo Feminina do Ano no Prêmio Graffiti 2025. Desde o ano passado, a agência premia a vencedora dessa categoria com uma apresentação no exterior, uma iniciativa que se insere na estratégia que vem desenvolvendo há quase uma década para promover a internacionalização das indústrias criativas e em sua política de gênero, voltada para ampliar a presença das mulheres na atividade de exportação.

A primeira artista a participar dessa iniciativa foi Flor Sakeo, que, em 2024, realizou uma de suas primeiras apresentações internacionais no La Furia del Libro, em Santiago do Chile. Essa experiência resultou posteriormente em uma turnê e em ampla repercussão na mídia do país transandino.

Nascida em Rocha, Florencia Núñez construiu uma trajetória reconhecida na música contemporânea uruguaia. Com quatro álbuns lançados e inúmeros reconhecimentos por sua trajetória e composições, a artista iniciou no Brasil sua turnê e uma nova etapa na qual busca ampliar a projeção internacional de seu projeto artístico.

Após o show, a artista conversou com a Uruguay XXI sobre os desafios de conquistar novos mercados, a recepção do público brasileiro, a importância do apoio institucional e o papel da música como veículo para divulgar a identidade uruguaia.

Após 15 anos de carreira, como você avalia o caminho percorrido?

Comemorar uma década e meia de carreira é tomar consciência de todo o tempo que passou e da quantidade de marcos que marcaram o caminho. Sempre penso que os álbuns são os grandes marcos na carreira de qualquer artista e, no meu caso, esta é a primeira vez que faço uma turnê concebida a partir de toda a discografia, e não de um álbum em particular.

Depois, houve outros marcos importantes, como os prêmios recebidos. Alguns significaram quebrar pequenos tetos de vidro para as mulheres na música. Tive a oportunidade de ver minha música ser premiada e também meu trabalho como compositora, e, por mais ridículo que pareça, foi a primeira vez que uma mulher recebeu esse reconhecimento. Vivo isso com a responsabilidade de ter aberto esse espaço para que outras colegas também possam ter acesso a ele.

Além disso, compartilhar com colegas que, no início da minha carreira, eu considerava pessoas de outra dimensão; com o tempo, quando você naturaliza esses encontros, compreende que as coisas que lhe acontecem não são coincidência, mas o resultado de um caminho percorrido com perseverança, dedicação e responsabilidade.

O que significou iniciar a turnê em São Paulo?

Vivi isso de uma forma muito especial porque era minha primeira vez em São Paulo, mas também era o início da turnê. O Sesc nos recebeu muito bem, ficaram muito satisfeitos com o show. Ficamos felizes por termos começado a turnê por lá. Foi uma experiência maravilhosa e significou, de certa forma, tirar o selo de segurança da turnê e também do meu primeiro show na cidade de São Paulo, pelo qual, na verdade, eu estava muito animada.

O Brasil tem um mercado interno tão grande e, além disso, existe uma barreira linguística. É estranho, porque nós consumimos tanta música em português e é uma música tão fundamental, inclusive para a nossa própria fusão, mas o contrário não acontece.

Quando você está lá, percebe o quão grande isso é. Essa foi, sem dúvida, uma excelente oportunidade para entrar no mercado pela primeira vez, para começar a entender como as coisas funcionam, quais são os parceiros que poderíamos ter no futuro; sempre pensando nisso como uma aposta para o futuro. É uma primeira visita à cidade, e a ideia é que não seja a última.

Como foi a recepção do público brasileiro?

Sempre que você chega a um novo mercado, você se pergunta se a proposta vai conectar com as pessoas. Fiquei muito agradavelmente surpreso com a reação do público. Lembro-me de ter anunciado que o show estava acabando e as pessoas responderam que não. Isso costuma acontecer quando você se apresenta em um lugar onde já é conhecido, então foi muito emocionante vivenciar isso em uma cidade onde era a primeira vez que me apresentava.

Além disso, dividir o palco com a artista brasileira Bruna Caram foi muito enriquecedor. É uma colega com quem já tivemos contato em outras ocasiões, pois ela frequenta bastante o festival de La Serena, em La Paloma.

O público nos retribuiu com algo que não sei se foi extrema cordialidade ou se estavam realmente emocionados com o show; isso nos confirmou que o projeto tem muito potencial de desenvolvimento nesse mercado. Acredito que é aí que todas as engrenagens que se movem para levar uma proposta a outra cidade acabam fazendo sentido.

O que significa contar com o suporte coordenado de entidades como a Uruguay XXI, o Prêmio Graffiti, o Consulado Geral do Uruguai em São Paulo e o Sesc?

Isso tem um valor imenso, pois significa superar uma barreira. De outra forma, teria sido muito difícil para nós darmos esse passo.

Por trás dessas iniciativas, há pessoas pensando em como tornar as coisas um pouco mais fáceis para nós que fazemos música.

É muito gratificante ver diferentes instituições trabalhando de forma coordenada. Nós investimos muito esforço para manter uma carreira artística, e cada apoio desse tipo representa uma oportunidade muito importante.

A iniciativa também busca ampliar as oportunidades para as mulheres na música. Como o senhor avalia essa abordagem?

Acredito que hoje estamos muito mais conscientes de que as desigualdades de gênero existem, e isso já é um passo importante, pois permite que comecemos a agir para reduzi-las. Agradeço que haja mais pessoas atentas para que nós, mulheres, tenhamos acesso a oportunidades em função do nosso talento e do nosso trabalho. O gênero não deveria ser uma barreira; o trabalho e o talento deveriam ser um trampolim.

Qual é o papel da identidade uruguaia quando o senhor se apresenta no exterior?

Sempre que fazemos um show, falamos não apenas de quem somos, mas também de onde viemos. É impossível separar um artista de sua identidade.

No meu caso, dediquei-me bastante a isso, sobretudo no meu terceiro álbum, que foi um trabalho dedicado exclusivamente às canções de Rocha. Acredito que tenha sido uma forma de colocar no mapa regional um departamento que, embora fosse conhecido por suas praias e sua beleza, também possui sua criatividade, sua obra e seu repertório musical.

Sempre que representei um pouco da cultura do Uruguai no exterior, senti uma resposta incrível do público.

Após esta passagem pelo Brasil, como seguirá a turnê e como o senhor imagina a internacionalização do seu projeto?

A turnê vai continuar por muitos meses. Iremos para Buenos Aires, depois começaremos pelos teatros do interior e terminaremos em Montevidéu, no Auditório Nacional do Sodre.

O público assistirá a um concerto no qual celebraremos o caminho percorrido e encontrará, em cada local, um artista local emergente. Achei que seria uma bela oportunidade compartilhar com colegas que possam usar isso como mais uma janelinha de exposição.

Depois, continuamos pensando em expandir para fora, porque todos nós que estamos nesta indústria sabemos que o mercado uruguaio é maravilhoso, mas o teto está próximo. Portanto, este ano também irei à Espanha, para ver como trabalhar a partir de outro lugar. Esse é o desafio e o objetivo; espero que possamos alcançá-lo.


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