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Audiovisual: “No circuito internacional, a estratégia de divulgação é tão importante quanto a obra em si”
O programador francês Jean-Christophe Berjon analisou os desafios do cinema latino-americano em festivais internacionais e destacou a identidade do cinema uruguaio como seu principal ponto forte
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No âmbito do 44º Festival Internacional de Cinema do Uruguai, a Uruguay XXI e a Cinemateca Uruguaia convocaram o programador francês Jean-Christophe Berjon para refletir sobre os desafios do cinema latino-americano no circuito europeu. Sua visita insere-se em uma estratégia contínua para valorizar a importância do papel da produção executiva no desenvolvimento do cinema nacional.
A presença do cinema latino-americano nos grandes festivais internacionais, suas oportunidades e limitações, bem como as chaves para posicionar obras em um cenário cada vez mais competitivo, foram os eixos da palestra ministrada por Jean-Christophe Berjon em Montevidéu. O especialista —delegado geral do Festival Biarritz Amérique Latine e com uma extensa trajetória em Cannes e Morelia— compartilhou sua experiência com cineastas e produtores locais, em um evento de intercâmbio promovido pela Uruguay XXI e pela Cinemateca Uruguaia.
Em conversa com a Uruguay XXI, Berjon referiu-se particularmente ao cinema uruguaio, que identificou como uma cinematografia com características próprias e valorizadas internacionalmente. “É um reflexo de uma certa filosofia de vida do povo uruguaio. Vejo uma generosidade, uma complexidade emocional, mas serena e aberta”, afirmou.
Em sua opinião, filmes como Whisky, El baño del Papa ou Mal día para pescar construíram uma imagem reconhecível. “É algo profundo, sincero, mas profundamente humanista”, expressou. Essa identidade, sustentou, constitui uma vantagem competitiva. “O cinema uruguaio nem sempre está muito presente nos grandes circuitos, mas é respeitado. É uma contraproposta singular e muito valorizada”, acrescentou.
Nessa linha, ele considerou que o principal desafio é sustentar e aprofundar essa singularidade. “O futuro do cinema uruguaio está em continuar cultivando sua identidade profunda”, destacou.
Chaves para entender o circuito internacional de festivais
Além da identidade, o desafio passa também por entender como funciona o sistema de festivais em nível global. Nesse contexto, durante a atividade, Berjon destacou que a trajetória de um filme nos festivais responde a múltiplos fatores que transcendem sua qualidade artística. “Há o que se vê e há tudo o que ocorre nos bastidores: equilíbrios, decisões curatoriais, relações com o público e com o contexto de cada país”, explicou. Nesse sentido, ele insistiu na necessidade de compreender o ecossistema audiovisual como uma trama complexa, onde a estratégia de circulação é tão relevante quanto a obra em si.
Um dos pontos centrais foi o papel da produção executiva e do planejamento prévio ao envio para festivais. “Antes de falar de estratégias, é preciso entender o que é o filme e o que se espera dele”, observou. Para o especialista, nem todas as produções buscam os mesmos objetivos; algumas buscam visibilidade, outras recuperar o investimento ou criar redes para projetos futuros. “Raramente é possível obter tudo de uma só vez”, alertou.
O especialista também abordou o crescente volume de produções que buscam ingressar em festivais internacionais. Segundo ele, o aumento da oferta — impulsionado por mudanças tecnológicas e contextuais — gera uma concorrência cada vez mais intensa. “Hoje há muito mais filmes do que antes tentando entrar nos mesmos espaços”, observou.
Nesse cenário, o contexto global desempenha um papel determinante. “Não é apenas a qualidade do filme, é o momento, o país, as tendências. Há anos em que certas cinematografias têm mais visibilidade do que outras”, explicou.
Da mesma forma, destacou a importância dos festivais como plataformas de conexão além da exibição. “São uma agência de viagens para os filmes, mas também um espaço para gerar encontros, vínculos e oportunidades futuras”, indicou.
Estratégia e circulação
Berjon recomendou aos produtores executivos que pensassem na circulação de suas obras de maneira integral e flexível, considerando tanto os grandes festivais quanto os circuitos alternativos. “Não é um fracasso começar em festivais de menor escala. Pelo contrário, pode ser uma grande conquista e uma porta de entrada”, afirmou.
Ele também enfatizou a importância de compreender as regras de estreia — mundial, internacional, continental — e planejar de acordo com elas. “Aceitar um festival implica, muitas vezes, abrir mão de outros. Por isso, é preciso avaliar bem cada decisão”, explicou.
Quanto ao relacionamento com agentes de vendas, ele foi claro. “Um bom agente não cobra para promover o filme, ele investe nele. Seu interesse é que ele circule e seja vendido”, garantiu. No entanto, reconheceu que nem todas as produções conseguem acessar esse tipo de apoio, o que obriga os próprios realizadores a assumir a estratégia de distribuição.
Uma construção de longo prazo
A visita de Berjon se soma a outras iniciativas impulsionadas pela Uruguay XXI para fortalecer a internacionalização do setor audiovisual. No ano passado, nesta mesma ocasião, participou a programadora da Berlinale, Ana David, enquanto no Festival de Cinema Nuevo Detour estiveram presentes agentes de vendas e distribuição.
Essas ações buscam consolidar vínculos com os produtores executivos locais e divulgar informações que ajudem a posicionar o cinema uruguaio no cenário internacional.
Em um contexto de transformação da indústria, com o surgimento de plataformas e novos modelos de consumo, o especialista insistiu que o reconhecimento em festivais continua sendo um ativo fundamental. “O festival dá um selo: diz ‘este filme vale a pena’. Isso continua sendo muito importante”, afirmou.
No entanto, ele também alertou sobre as limitações do sistema. “O reconhecimento artístico nem sempre se traduz em resultados econômicos. É uma tensão permanente entre criação e mercado”, concluiu.
A participação de Berjon deixou um roteiro para os profissionais locais compreenderem o ecossistema, traçarem estratégias e, acima de tudo, apostarem em uma identidade própria como principal diferencial.