Empresa internacional concretizará investimento multimilionário no Uruguai para produzir eCombustíveis a partir de hidrogênio verde

A HIF Global destinará US$ 4 bilhões a esse projeto, que permitirá a descarbonização de 150 mil veículos por ano. Trata-se do maior investimento da história do país.
Data de publicação: 09/06/2023
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O presidente uruguaio Luis Lacalle Pou confirmou a construção de uma usina de hidrogênio verde e eCombustíveis no departamento de Paysandú. O projeto está a cargo da empresa Highly Innovative Fuels Global (HIF Global), que investirá US$ 4.000 milhões no desenvolvimento e que também foi adjudicatária de um projeto de captura de carbono biogênico na usina da ALUR em Paysandú, subsidiária do Grupo Ancap — a empresa petrolífera estatal do Uruguai.

O investimento envolve cerca de US$ 2 bilhões para a construção da usina e outros US$ 2 bilhões para o desenvolvimento de parques eólicos e solares que produzirão a energia necessária para gerar hidrogênio verde. Esse valor torna esse projeto o maior investimento da história do país.

“Este é o primeiro passo para iniciar as operações no Uruguai e continuar avançando na luta contra as mudanças climáticas. Nossa tarefa agora é dar início aos trabalhos de engenharia para desenvolver a primeira usina de combustível neutra em carbono neste país”, anunciou o presidente da HIF Global, César Norton, em um comunicado à imprensa.

Em declarações ao jornal uruguaio El País, Norton acrescentou que, no Uruguai, encontraram “condições técnicas e de mercado favoráveis para o desenvolvimento dessa indústria emergente, como energia renovável acessível e de baixo custo, disponibilidade abundante de fontes de CO₂, incentivos estatais e um marco jurídico estável”.

As obras empregarão 1.500 pessoas e, em seu pico de produtividade, chegarão a 3.200 postos de trabalho. A construção terá início em 2024 e, uma vez concluída a fase operacional, gerará cerca de 300 empregos diretos.

Trata-se de um novo marco na segunda transição energética pela qual o Uruguai está passando e que o colocou na vanguarda dos países produtores de energias verdes. O Uruguai já concluiu a primeira transição energética da última década, que permitiu que 98% da demanda de eletricidade em um ano fosse suprida por fontes renováveis, como a eólica, a biomassa, a fotovoltaica e a hidrelétrica.

Com um crescimento econômico sustentado, estabilidade social e política, uma legislação com visão de futuro e recursos naturais privilegiados, o Uruguai é líder mundial em energias renováveis. Agora, com o hidrogênio verde e a promoção da mobilidade elétrica, o país pretende concluir sua transformação energética. O Uruguai apresenta condições muito favoráveis para isso, como a disponibilidade de água e CO₂ biogênico proveniente da biomassa, infraestrutura adequada, incentivos fiscais atraentes e compromisso do governo com a sustentabilidade. Prova disso é o roteiro para o hidrogênio verde publicado em junho de 2022.

“Nessa transformação pela qual o mundo está passando, o Uruguai cumpriu sua parte”, refletiu o presidente uruguaio durante o anúncio do investimento, feito a partir do departamento de Paysandú, no noroeste do Uruguai.

A construção, que terá início em 2024, é resultado de um processo no qual o governo recebeu propostas de mais de 50 empresas. O ministro uruguaio da Indústria, Energia e Mineração, Omar Paganini, explicou que a gasolina verde que será produzida será transportada pelo rio Uruguai e destinada à exportação, devido aos importantes volumes que irá gerar.

Detalhes do processo e do projeto HIF Paysandú

Com eletricidade proveniente de fontes renováveis, realiza-se um processo de eletrólise que permite separar a molécula de água (H₂O) em hidrogênio (H₂) e oxigênio (O). Esse hidrogênio é então combinado com CO₂ de origem biogênica em um processo de síntese, obtendo-se metanol verde, que finalmente é convertido em eGasolina.

O projeto da HIF Global em Paysandú visa produzir 256 milhões de litros anuais de eGasolina a partir da produção de 100.000 toneladas de hidrogênio verde por ano e da captura de 710.000 toneladas por ano de CO₂. Isso equivale à descarbonização de mais de 150.000 veículos por ano.


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