Empresas espanholas identificaram oportunidades nas áreas de infraestrutura e mobilidade urbana no Uruguai

Em um evento organizado pelo ICEX e pela Embaixada da Espanha, o vice-diretor executivo da Uruguay XXI destacou o reinvestimento como o indicador mais sólido da previsibilidade do Uruguai
Data de publicação: 22/06/2026
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A agência governamental de promoção de investimentos, exportações e imagem do país, Uruguay XXI, participou das Jornadas sobre Infraestruturas de Transporte e Mobilidade Urbana no Uruguai. O evento reuniu autoridades nacionais e departamentais, representantes da União Europeia, organismos multilaterais e uma importante delegação empresarial de ambos os países.

O encontro, organizado pelo ICEX — o órgão espanhol de internacionalização — e pelo Escritório Econômico e Comercial da Espanha em Montevidéu, contou com a participação de uma missão composta por 16 empresas espanholas de primeira linha, entre as quais se destacaram a ADIF (Administradora das Infraestruturas Ferroviárias da Espanha) e a Empresa Municipal de Transportes de Madri.

O evento abordou em profundidade os modelos de gestão, os mecanismos de financiamento e os projetos-chave nas áreas ferroviária, rodoviária e de transporte metropolitano sustentável no Uruguai.

Durante a abertura, o embaixador da Espanha no Uruguai, Javier Salido Ortiz, qualificou o momento atual como “histórico”, devido às perspectivas que abre o Acordo União Europeia-Mercosul, que permitirá ao Uruguai apresentar-se como a porta de entrada natural para a região para as empresas europeias. Além disso, elogiou a segurança jurídica e a capacidade do país de construir consensos de Estado que transcendem os ciclos políticos.

“A Espanha é o principal investidor estrangeiro no Uruguai, com um estoque de investimentos de mais de US$ 7.500 milhões e com mais de uma centena de empresas presentes de forma estável em todos os setores”, destacou o diplomata.

O valor do acompanhamento pós-investimento e os atributos do país

Durante sua intervenção no bloco sobre a situação geral do mercado, o vice-diretor executivo da Uruguay XXI, Martín Mercado, apresentou as ferramentas que a agência oferece para a entrada e posterior expansão de capitais estrangeiros no território nacional.

Mercado enfatizou o trabalho de acompanhamento pós-investimento (aftercare) e destacou que o crescimento das empresas já instaladas no Uruguai é o melhor reflexo do clima de negócios local.

“Grande parte das empresas acaba se expandindo e ampliando sua presença em nosso país. É nesse momento que elas também nos procuram para que as acompanhemos. Talvez o reinvestimento das empresas, principalmente espanholas, seja o melhor indicador, além de qualquer indicador macroeconômico de estabilidade que eu possa mencionar”, afirmou Mercado.

O responsável detalhou que, atualmente, existem cerca de 159 empresas de origem espanhola identificadas no Uruguai, que geram emprego para 10.000 pessoas e consolidam a Espanha como um parceiro comercial estratégico, responsável por aproximadamente 40% do estoque de investimento estrangeiro direto (IED) no país.

Ele sustentou que os fatores-chave que dinamizam esse fluxo de investimentos e diferenciam o Uruguai na região são a previsibilidade e a estabilidade proporcionadas por um marco normativo claro, acompanhadas por incentivos fiscais consolidados, como os propostos pela Lei de Promoção de Investimentos, em vigor há mais de três décadas. Ele também destacou o sistema tributário unificado em nível nacional, que simplifica a operação dos negócios, a proximidade institucional que facilita o contato com os diferentes níveis de governo e a qualidade do talento local, um dos principais ativos do país e um elemento-chave para que as empresas optem por se estabelecer no Uruguai e, a partir daí, expandam seus serviços para a região.

Mercado concordou com o impacto positivo do Acordo Comercial União Europeia-Mercosul e lembrou que — segundo dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) — os países signatários desses acordos experimentam um aumento exponencial do investimento estrangeiro direto no médio prazo, devido às demandas de infraestrutura e logística geradas pela abertura dos mercados.

O evento contou ainda com painéis técnicos compostos por representantes da Direção Nacional de Transporte Ferroviário, da Direção Nacional de Rodovias e da Direção Nacional de Transportes, juntamente com especialistas de organismos financeiros e multilaterais.


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