Produtos alimentícios uruguaios avançam rumo a novos mercados após rodada de negociações com compradores internacionais

Desde a primeira exportação até a abertura de novos mercados, as empresas uruguaias avançam em sua internacionalização
Data de publicação: 31/08/2026
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Um rolo de canela congelado que é finalizado no forno em casa, um homus natural de longa durabilidade e alimentos funcionais elaborados com sementes de cânhamo. Produtos diferenciados e empresas em diferentes estágios de internacionalização se reuniram na Rodada de Negócios de Alimentos e Bebidas organizada pela Uruguay XXI e pela Câmara de Indústrias do Uruguai (CIU), com o objetivo comum de encontrar novos mercados para seus produtos.

O evento reuniu, no início de agosto, 80 empresas nacionais com compradores da Argentina, Brasil, Colômbia, México, Paraguai, Peru, Equador e Estados Unidos, em uma agenda de mais de 400 reuniões.

Do Uruguai à primeira exportação

Para a EASY Congelados, a rodada representou um novo passo em uma jornada que teve início este ano, após consolidar sua presença nos supermercados uruguaios. A empresa apresentou seus mini rolls de canela, maçã com canela e chocolate, além de uma versão maior destinada a cafeterias e padarias.

Brasil, Paraguai, Argentina e Chile surgiram como os primeiros destinos possíveis devido à proximidade e aos custos logísticos. “O simples fato de conseguirmos entrar em algum bairro de São Paulo, em alguma cidade pequena, já é uma oportunidade gigantesca para nós”, explicou seu diretor, Dan Kalijmann.

As reuniões também permitiram avaliar a recepção do produto entre os compradores. “Eles ficaram surpresos com o tipo de produto, com a facilidade de consumo e com o quão inovadora era a ideia”, relatou Kalijmann. Ele também destacou que o desafio consiste em encontrar o público-alvo adequado. “Nem sempre se encontra uma combinação ideal com todos, pois há diversos fatores, como questões de preço e o perfil do consumidor do comprador, mas é uma questão de conseguir encontrar o nicho adequado para explorar o potencial”, afirmou.

Para viabilizar a exportação, a EASY já conseguiu estender a validade de seus produtos para 12 meses e está trabalhando em outros desafios relacionados à cadeia de frio, aos custos e aos volumes. A rodada foi sua primeira experiência desse tipo, e Kalijmann destacou especialmente o acesso a potenciais clientes internacionais. “É realmente inestimável o valor que tanto a Uruguay XXI quanto a Câmara de Indústrias agregam nesta instância, pois é difícil para as empresas uruguaias entrarem em contato com compradores internacionais de redes realmente grandes para que estes possam dedicar meia hora de seu tempo a ouvir sua proposta”, afirmou.

Em uma fase diferente encontra-se a Betabel, que já comercializa seus produtos na Argentina e prevê começar a vender no Paraguai ainda este ano. Nesta edição da rodada, a empresa apresentou seu homus natural de longa durabilidade e manteve reuniões com compradores do Brasil e do Paraguai, ao mesmo tempo em que analisa oportunidades na Colômbia.

Seu diretor, Gastón Cesperés, destacou que os retornos recebidos foram positivos e que a empresa deu continuidade às conversas iniciadas durante a rodada para avaliar possíveis negócios. A Betabel já havia participado de edições anteriores e valorizou essa experiência como parte do aprendizado necessário para avançar em seu processo de internacionalização.

Do cânhamo uruguaio a novos destinos

Goland Hemp Food chegou à rodada com uma experiência de exportação já em andamento e o objetivo de conquistar novos mercados para sua linha de alimentos funcionais elaborados com sementes de cânhamo.

A empresa apresentou óleo prensado a frio, sementes descascadas, proteína vegetal, manteiga de amendoim e café com proteína de cânhamo, além de seu lançamento mais recente: um alfajor elaborado com proteína de semente de cânhamo. Toda a linha é isenta de glúten e possui o selo Marca País e a certificação da LSQA.

Durante a rodada, a Goland manteve reuniões com compradores do Peru, Brasil, Colômbia, Equador e Argentina, desde importadores especializados em produtos gourmet até grandes redes de distribuição. A empresa identificou, especialmente no Peru e na Colômbia, uma combinação favorável entre interesse comercial, marco regulatório e possibilidades de avançar no curto prazo.

“Houve um denominador comum: muito interesse genuíno pelo produto”, destacou seu gerente comercial, Rodrigo Gómez. No entanto, cada mercado apresentou condições diferentes. No Brasil, por exemplo, a regulamentação ainda limita a comercialização dessa categoria, enquanto em outros destinos o desafio consiste em introduzir um produto ainda pouco conhecido.

A participação baseou-se em uma trajetória de internacionalização que já havia gerado resultados. A Goland foi a primeira empresa uruguaia a exportar alimentos elaborados com sementes de cânhamo e a primeira a entrar com essa categoria no mercado argentino.

Atualmente, também está presente na Colômbia, possui autorização da FDA para exportar para os Estados Unidos e firmou um acordo com uma plataforma de vendas nesse mercado. As exportações representam pouco menos da metade de seu faturamento, enquanto o Peru e o Chile figuram entre os principais destinos nos quais a empresa busca expandir-se.

Essa trajetória contou com apoio institucional em diferentes etapas. Para concretizar sua entrada na Argentina, a empresa trabalhou com a Uruguay XXI, a Prefeitura de Canelones, o Laboratório Tecnológico do Uruguai (LATU), a Agência Nacional de Pesquisa e Inovação (ANII) e a Câmara de Indústrias do Uruguai. Em seu atual processo de expansão, a empresa também participa do programa “Uruguai para o Mundo”, promovido pela Agência Nacional de Desenvolvimento (ANDE), pela Uruguay XXI, pela ANII, pelo LATU e pelo Ministério da Indústria, Energia e Mineração, no âmbito do programa “Uruguai Innova”, que acompanha as empresas em seus processos de internacionalização.

Após a rodada, a empresa iniciou um acompanhamento dos contatos estabelecidos, com ações específicas de acordo com as necessidades de cada comprador. “Esperamos ter os primeiros avanços concretos nos próximos dois meses”, antecipou Gómez.

Para a empresa, uma das principais contribuições dessas iniciativas é o acesso direto a potenciais parceiros comerciais. “Elas nos colocam na mesma mesa que compradores internacionais de grande porte, algo que, para uma empresa do nosso porte, seria muito difícil de conseguir por conta própria”, destacou.

As três trajetórias mostram diferentes pontos de um mesmo percurso: preparar uma primeira exportação, consolidar mercados próximos ou levar uma inovação uruguaia a novos destinos. Em todos os casos, as reuniões permitiram comparar a oferta com compradores internacionais e definir quais são os próximos passos para avançar em cada mercado.


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