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Uma nova e inovadora fábrica de vacinas coloca o Uruguai no mapa da biotecnologia
Com um investimento de US$ 4 milhões, a Terovet desenvolve em Montevidéu um projeto que reflete como o Uruguai consolida suas condições para atrair e ampliar investimentos em ciências da vida com projeção internacional.
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Em 2023, três profissionais com mais de duas décadas de experiência na indústria farmacêutica veterinária decidiram deixar cargos de gestão em uma multinacional para impulsionar uma nova iniciativa biotecnológica a partir do Uruguai. A equipe, com trajetória no desenvolvimento e produção de vacinas — incluindo sua passagem pelo laboratório Prondil e, posteriormente, pela multinacional MSD —, identificou uma oportunidade concreta para capitalizar esse conhecimento em nível local. Assim nasceu a Terovet.
“Havia um conhecimento muito valioso que estava se perdendo no país e vimos uma oportunidade de mantê-lo e desenvolvê-lo a partir do Uruguai”, destacou Rafael Costoya, sócio-diretor da empresa ao lado de Pablo Espósito e Julio Guarnaschelli.
Após uma primeira etapa prestando serviços de consultoria para laboratórios no exterior — o que incluiu vínculos com empresas na América Latina, África e outros mercados —, a empresa avançou para a construção de uma planta biotecnológica própria, atualmente em desenvolvimento em Montevidéu, que começará a operar em setembro de 2026.
“Decidimos montar essa planta no Uruguai, inicialmente focada na saúde animal, mas com uma visão de futuro que inclui até mesmo a saúde humana”, acrescentou Costoya.
O projeto busca suprir a falta de capacidade para levar desenvolvimentos biotecnológicos à escala industrial, uma lacuna identificada no setor local.
“Hoje existem desenvolvimentos biotecnológicos no Uruguai, mas não há infraestrutura para levá-los à produção industrial”, explicou Espósito.
Da pesquisa à produção em escala industrial
A fábrica permitirá produzir vacinas inovadoras para a saúde animal e, ao mesmo tempo, oferecer serviços de fabricação sob o modelo CDMO (Contract Development and Manufacturing Organization), amplamente utilizado na indústria global.
Essa abordagem combina desenvolvimento próprio com produção para terceiros e responde a uma tendência crescente: a terceirização de capacidades de desenvolvimento e fabricação para operadores especializados.
“Somos uma fábrica que produz para outras empresas, principalmente para mercados emergentes onde os custos são o verdadeiro desafio”, destacou Costoya.
Esse posicionamento permitirá atender segmentos onde as grandes empresas enfrentam maiores dificuldades operacionais. “Vimos ali uma oportunidade muito boa: a de poder produzir com nossa tecnologia e levar produtos a preços competitivos para mercados onde hoje é difícil operar”, acrescentou.
Por sua vez, a fábrica se projeta como uma plataforma para o setor local. “Queremos oferecer nossa capacidade a empresas que desenvolvem produtos e não têm onde fabricá-los em escala industrial”, explicou Espósito.
Isso inclui desde a ampliação de desenvolvimentos de startups até a produção para multinacionais, com as quais a empresa já conta com clientes identificados e avanços comerciais em diferentes regiões.
Paralelamente, o modelo prevê mecanismos para começar a gerar receita nas fases iniciais do projeto, por meio da produção de componentes que não exigem processos regulatórios complexos.

Um modelo voltado para a exportação
O foco na exportação é fundamental: entre 80% e 85% da produção será destinada aos mercados internacionais. A empresa planeja, inicialmente, abastecer a América Latina, a África e o Oriente Médio, regiões onde já possui experiência e vínculos pré-existentes.
“Nosso principal objetivo é exportar. Para o crescimento dessa indústria, é fundamental acessar mercados internacionais”, afirmou Costoya.
Em sua primeira etapa, a fábrica terá capacidade para produzir até 20 milhões de doses anuais de vacinas complexas, com possibilidade de expansão modular no futuro.
“O projeto foi concebido desde o início com potencial de crescimento. Temos a possibilidade de multiplicar nossa capacidade produtiva em até sete vezes por meio de novos investimentos”, acrescentou.
Além das tecnologias convencionais, a empresa incorpora plataformas avançadas, como o desenvolvimento de vacinas recombinantes, que ampliam o alcance para novos segmentos, incluindo o mercado de animais de estimação e, potencialmente, aplicações na saúde humana.
Um ecossistema em crescimento, com oportunidades de investimento
O desenvolvimento da Terovet insere-se em um setor biotecnológico que, embora ainda seja de escala limitada, mostra um dinamismo crescente. No Uruguai, operam atualmente mais de 60 empresas biotecnológicas, das quais cerca de dois terços são startups voltadas para o desenvolvimento de soluções inovadoras com projeção global, de acordo com o estudo Empresas de biotecnologia no Uruguai: características produtivas, tecnológicas e econômicas de uma atividade em crescimento, elaborado a pedido da Uruguay XXI, Agência Nacional de Pesquisa e Inovação (ANII) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
No entanto, um dos principais desafios do setor continua sendo a transição da pesquisa para a produção.
Nesse contexto, o investimento da Terovet incorpora um elo fundamental na cadeia de valor, possibilitando novas oportunidades tanto para startups locais quanto para empresas internacionais.
“A ideia é que aqueles que desenvolvem soluções no Uruguai possam expandir industrialmente e acessar mercados internacionais sem precisar se deslocar”, explicou Costoya.
Por sua vez, o projeto se posiciona como um ator relevante para abordar desafios produtivos concretos, como o desenvolvimento e a fabricação de soluções biotecnológicas aplicadas ao setor agropecuário.

Por que o Uruguai
A decisão de desenvolver este projeto no Uruguai se deve a fatores estruturais que também se refletem no restante do setor.
“O Uruguai conta com recursos humanos altamente qualificados e uma base científica sólida, o que é fundamental para esse tipo de projeto”, destacou Espósito.
O país combina disponibilidade de talentos técnicos e científicos, experiência na produção de vacinas e um ambiente institucional caracterizado pela estabilidade econômica e jurídica.
A isso se soma um ambiente científico em expansão e condições que facilitam a validação de soluções em áreas como a saúde animal.
Nesse contexto, o Uruguai começa a se posicionar como uma plataforma para o desenvolvimento, a ampliação e a produção de biotecnologia com alcance internacional.
Um caso que marca uma oportunidade
A trajetória da Terovet mostra como uma base de conhecimento consolidada pode se transformar em um investimento industrial em biotecnologia a partir do Uruguai, conectando capacidades científicas locais com oportunidades globais.
Ao mesmo tempo, evidencia uma oportunidade mais ampla: a possibilidade de investir em um setor em expansão, com talento disponível e espaço para desenvolver infraestrutura produtiva.
Em um ambiente altamente regulamentado — onde os processos de desenvolvimento e habilitação exigem experiência e horizontes de longo prazo —, a combinação de conhecimento técnico, capacidades industriais e acesso a mercados posiciona o país como um destino relevante para esse tipo de investimento.
“O potencial existe. O Uruguai tem condições para se consolidar como um polo de biotecnologia”, concluiu Espósito.